A coletiva SLASK 2024 abriu no dia 27 de novembro com sete artistas e, ao longo da primeira semana de dezembro, as suas legendas saíram uma obra por dia: pneus, alumínio, grés, prata, argila e fita adesiva.
What Now? Again!, a exposição coletiva SLASK 2024, abriu no dia 27 de novembro: sete artistas entre escultura, joias, têxtil, vídeo e pintura. Ao longo da primeira semana de dezembro, as legendas saíram ao ritmo de uma obra por dia, um calendário do advento de materiais; lidas em conjunto, ainda são o melhor percurso pela mostra.
A Knot In Motion, de Alexandra Moreno (pneus de automóvel descartados, epóxi, aço inoxidável, 2024), parte de abordagens pós-humanistas e da ideia de Donna Haraway de que o mundo é um nó em movimento: num mundo intrincadamente entrelaçado, fazer mal a uma parte é fazer mal a si próprio. A obra foi uma encomenda da Svensk Däckåtervinning.
Berlocker, de Douglas Tillberg (alumínio, objetos encontrados, 2024), trouxe o texto de artista mais curto do mês, aqui em tradução: vejo uma coisa. Agarro o meu prego, atravesso-a de lado a lado. É esse o meu berloque. Hysteria, de Amanda Edstrand (alumínio, vídeo, fotografia, 2024), traça uma linhagem numa única frase: a bruxa do século XVII torna-se a histérica dos séculos XIX e XX, hoje transformada na paciente borderline do século XXI.
Seaside stroke simulation, de Rokko Bengts (algodão, poliéster, linho, couro sintético, 2023), é um instantâneo do arquipélago visto por uma lente desorientada. O pequeno conjunto de esculturas em grés de Anna Harström (2022 a 2024) reúne espirais e picos, formas vindas da arquitetura clássica e de todos os cantos da natureza; a sua legenda oferecia três verdades discretas: três pernas nunca abanam, a argila misturada com giz torna-se vidrado, e os objetos podem ser carregados com energias protetoras, para quem acredita nessas coisas. Natali Ringqvist mostrou Untitled (postais, argila, fita adesiva, 2024) e Chausu painting (argila, emulsão de têmpera, tela de linho, 2024), legendadas apenas com coordenadas: 37°07’29.9”N 139°57’52.6”E.
Em Main (prata, zircões, cobre, 2024), Johanna Edwardh quer, ao mesmo tempo, desafiar e preservar o ofício, contrapondo o processo lento e cuidadoso do ourives à produção acelerada do nosso mundo ultramoderno.
Uma semana depois de começar dezembro, a galeria seguiu em frente, com uma inauguração Slask com Anna Ofelia Johansson no dia 4 de dezembro. O formato de quatro semanas, quatro exposições chegou um ano mais tarde; o hábito de entregar dezembro a muitas mãos começou aqui.